
A construção da Igreja Matriz da freguesia de Figueiró dos Vinhos não é possível localizar no tempo. Embora se saiba que foram os frades de Santa Cruz de Coimbra, proprietários de vinhas e herdades da vila, que a mandaram edificar e que esta já existia no ano de 1320.
O actual padroeiro é São João Batista, a quem foi dedicada a igreja, embora, se diga que, no princípio do século XIII fosse Santa Maria de Figueiró.
Existem registos de que a 3 de Maio de 1721, o Prior D. António Coutinho, enviou a pedido do Reino, uma relação de todas as capelas e igrejas existentes, nesta freguesia, fazendo menção à Igreja Matriz. Posteriormente, em 1773 um documento, refere que esta era a maior igreja, do Arcediago de Penela.
É muito possível que tenha existido outra igreja antes da construção desta, talvez mais pequena, nos tempos em que esta vila era ainda aldeia. Mas, na realidade, o actual templo não têm qualquer vestígio artístico, nem outros, que nos permita datar a sua construção.
A Igreja sofreu ao longo dos anos, grandes modificações, sendo que, uma das maiores foi no ano de 1898, sobre a alçada do arquitecto Ernesto Reynadud, com alterações na fachada principal. Onde ficou com um portal do renascimento de linhas simples, mas belas.
À entrada da igreja, a seguir à capela baptismal, há um túmulo lavrado, de pedra de Ança, do princípio do século XV onde repousam os restos mortais de D. Rui Vasques de Vasconcelos Ribeiro e de D. Violante de Sousa sua esposa. A Pia Baptismal existente foi cinzelada por canteiros Figueiroenses.
O retábulo do Altar-Mor, foi desenhado por Simões de Almeida (tio) sendo de uma preciosidade e beleza encantadoras, de talha dourada, baseada no início do século XVIII com colunas “salmónicas”, enquadrando a tribuna.
Esta finíssima talha, estilo D. João V, está tapada pela moldura que a enquadra, pintada pelo grande pintor José Malhoa, alusiva ao Baptismo de Cristo, tendo sido por ele oferecida à Igreja Matriz da Freguesia de Figueiró dos Vinhos em 12 de Maio de 1904. Mede 4,70 metros de altura por 2,70 metros de largura, tendo sido restaurada no ano de 1972.
Existem vários altares. Sendo de realçar um Cristo Crucificado (Senhor dos Aflitos) da autoria do mestre Simões de Almeida (tio) que o esculpiu e mestre Malhoa encarnou. Tal é o seu valor, que o mesmo está reproduzido na capela de Herculano, no Mosteiro dos Jerónimos.
Noutro altar está uma imagem preciosa policromada da Santíssima Trindade, onde o Espírito Santo é figurado por uma pomba como é tradicional; medindo 0,94 metros de altura e com origem nos fins do século XV.
Tem um coro grande, onde está um órgão de tubos datado de 1689, actualmente em péssimo estado de conservação e sem qualquer uso. Restaurada foi já a imagem de São João, que diga-se, é muito bonita.
Este Monumento Nacional aguarda actualmente restauro pelos serviços competentes.
Leitão